Passo a passo grátis
Um agente que programa enquanto você dorme — com rédea
Você manda mensagem no WhatsApp ou no Telegram, um bot orquestrador abre sessões de Claude Code e de Codex num computador só dele, cada tarefa vira um branch e um Pull Request, e de manhã você só aprova. Escrever código sim. Publicar em produção e mexer na base de dados, nunca.
A regra que manda em tudo: o agente propõe, você aprova. A segurança não pode depender do agente "se portar bem" — tem de estar nas permissões. Se ele não tem a chave, não abre a porta.
1. A arquitectura em 30 segundos
- Você → manda a tarefa por mensagem ("corrige o bug do login no repo X").
- Bot orquestrador (ex.: Grokbot, ou um bot que você mesmo monta) → recebe a mensagem, escolhe o repo e lança uma sessão.
- Computador do agente → uma máquina ou VM dedicada, com conta de utilizador própria. Lá dentro: git, terminal, Claude Code, Codex e o que o projecto precisar.
- Sessão de Claude Code ou Codex → trabalha numa worktree isolada, num branch novo. Faz commit, push do branch e abre um PR em rascunho.
- GitHub → o
mainestá protegido: nada entra sem PR e sem a sua aprovação. - De manhã → o bot manda-lhe a lista de PRs. Você revê, aprova e faz merge. Ou fecha.
O orquestrador é a peça que troca. Este guia não depende de nenhuma marca: qualquer bot capaz de receber uma mensagem e correr um comando na máquina do agente serve. Confirme na documentação do seu orquestrador o que ele faz de facto.
2. O que o agente pode e o que nunca pode
- Ler o código, correr testes, lint e build localmente
- Criar branch, fazer commit, fazer push do branch
- Abrir Pull Request (de preferência em rascunho) com resumo do que mudou
- Fazer push para
main/masterou force push - Fazer merge do próprio PR
- Publicar (deploy) em produção, preview com segredos, ou mexer em DNS
- Correr migrations ou qualquer comando contra a base de dados de produção
- Ter credenciais de produção na máquina: URL da base de dados, service keys, tokens de Netlify/Vercel/Supabase/cloud
- Alterar os workflows de CI (
.github/workflows)
3. Como impor isto de forma técnica (por camadas)
Pense em três camadas. As duas primeiras são o muro. A terceira é o cinto de segurança.
Camada 1 — O que não está na máquina não pode ser usado
- Computador ou VM só para o agente, com utilizador próprio. Não use o seu portátil do dia a dia, onde estão as suas sessões, chaves SSH e
.envde produção. - Zero credenciais de produção nessa máquina. Nada de
service_role,DATABASE_URLde produção, tokens de deploy ou de cloud. Se precisar de base de dados para testes, use uma local ou um projecto de desenvolvimento descartável. - Os
.envda máquina só apontam para ambientes de desenvolvimento.
Camada 2 — O GitHub recusa no servidor
- Conta própria para o agente (ou uma GitHub App), com permissão Write apenas nos repos onde ele trabalha. Nunca Admin.
- Token fine-grained limitado a esses repos, com o mínimo: Contents (leitura e escrita, para fazer push do branch), Pull requests (leitura e escrita). Sem a permissão Workflows, para ele não conseguir alterar a pipeline de CI. Dê-lhe prazo de validade.
- Branch protection ou ruleset no
main:- exigir Pull Request antes do merge;
- exigir pelo menos 1 aprovação (o autor do PR não conta como aprovação, por isso tem de ser você);
- bloquear force push e apagar o branch;
- não permitir que ninguém contorne a regra — inclusive administradores.
- Segredos de deploy num Environment com aprovação obrigatória. Um branch empurrado para o mesmo repo pode disparar workflows; se os segredos de produção estiverem num Environment protegido, só correm depois de você aprovar.
Atenção: um token com escrita no repo consegue fazer push para main se não houver protecção. A protecção do branch é que fecha a porta, não o token. E em repos privados, alguns destes controlos podem exigir um plano pago do GitHub — confirme no seu plano.
Camada 3 — O agente é travado antes de tentar
No Claude Code, dá para negar comandos por configuração e bloquear com um hook que corre antes de cada comando de terminal. A ideia, em duas linhas de exemplo:
"deny": ["Bash(git push origin main:*)", "Bash(supabase db push:*)", …]
# hook antes de cada comando: se for push para o main, deploy ou migration → recusa
Por baixo, um hook de git pre-push em cada clone do agente recusa qualquer push para main ou master, mesmo sem argumentos. No Codex, o equivalente é o modo de sandbox e de aprovações, com as mesmas regras escritas no AGENTS.md.
No pacote: o settings.json, o hook e o pre-push prontos e testados, com os casos que apanham e os que deixam passar de propósito (um ramo chamado agente/maintenance não pode ser confundido com o main).
Seja honesto consigo: regras de deny e hooks são cinto de segurança, não muro. Um agente pode dar a volta (um bash -c, um script, um alias). Por isso as camadas 1 e 2 são as que contam. E nunca use modos que saltam todas as permissões fora de uma VM isolada e descartável.
As regras por escrito: CLAUDE.md / AGENTS.md
O agente lê estes ficheiros no início. Não são segurança, mas evitam que ele perca tempo a tentar o proibido. O essencial: trabalha sempre num branch novo, corre testes antes de entregar, abre PR em rascunho a explicar o que mudou, e pára se a tarefa precisar de algo proibido.
No pacote: o CLAUDE.md e o AGENTS.md completos, mais o template de PR.
4. O orquestrador: como ele lança as sessões
Seja Grokbot, um bot que você programou, ou outra ferramenta, o que ele faz na máquina do agente é basicamente isto, por tarefa:
# 1. clone isolado por tarefa (worktree = pasta própria, branch próprio)
cd ~/repos/meu-projecto
git fetch origin
git worktree add ../wt/login-fix -b agente/login-fix origin/main
cd ../wt/login-fix
# 2. sessão não interactiva do Claude Code (ou do Codex)
claude -p "Corrige o bug do login descrito em ISSUE.md. Segue o CLAUDE.md."
# alternativa: codex exec "..." (confirme o comando na sua versão)
# 3. entrega
git push -u origin agente/login-fix
gh pr create --draft --fill
- Worktrees deixam várias sessões trabalhar em paralelo no mesmo repo, sem pisarem os ficheiros umas das outras.
- Um branch por tarefa, com prefixo fixo (
agente/), para você saber logo o que veio do agente. - Limites: número máximo de sessões ao mesmo tempo, tempo máximo por sessão e um orçamento de uso por noite. Sem limite, uma tarefa mal descrita gasta a noite toda.
- Canal: o Telegram tem bots oficiais e simples de criar. No WhatsApp, a via oficial é a API do WhatsApp Business; bibliotecas não oficiais podem levar a conta a ser bloqueada. Escolha com isso em mente.
- O bot só deve aceitar mensagens do seu número/conta. Qualquer outra pessoa é ignorada.
5. A noite e a manhã
- Antes de dormir: manda 3 a 5 tarefas pequenas e bem descritas. "Melhora o app" não é tarefa. "No ecrã de login, o botão fica activo com o email vazio — desactiva-o e adiciona teste" é.
- De noite: o orquestrador abre uma worktree por tarefa, corre as sessões, e cada uma termina num PR em rascunho (ou numa nota a dizer porque parou).
- De manhã: recebe no telemóvel a lista — tarefa, link do PR, estado dos testes.
- Revisão: abre o PR, lê o resumo e o diff, vê o CI. Se estiver bom, aprova e faz merge. Se não, comenta e manda o agente corrigir na noite seguinte, ou fecha.
- Deploy: acontece como sempre aconteceu no seu projecto — por si ou pelo CI depois do seu merge. Nunca pelo agente.
6. Checklist rápida antes da primeira noite
- Máquina/VM dedicada, utilizador próprio, sem credenciais de produção
- Conta ou App do GitHub para o agente, só com Write nos repos certos
- Token fine-grained sem permissão Workflows, com validade
- Ruleset no
main: PR obrigatório, 1 aprovação, sem force push, sem excepções - Segredos de deploy num Environment com aprovação
- Regras de deny + hook no agente, e
pre-pushno clone CLAUDE.md/AGENTS.mdcom as regras- Bot que só responde a si, com limite de sessões e de tempo
- Teste: peça ao agente para fazer push para o
main. Tem de falhar.
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